Prof. Jairo Conde Jogaib
O que falta ao ensino universitário brasileiro
Um rápido bate-papo com o reitor do UniFOA, professor Jairo Jogaib, nos mostra mais uma das diversas opiniões sobre a Reforma Universitária e os rumos do ensino universitário no Brasil.
Jogaib nos fala do sistema de cotas, do incentivo à pesquisa e do que espera para o ensino superior brasileiro.
DNA - Qual sua opinião sobre a Reforma Universitária que se pretende no país? O senhor concorda com as afirmações de que o sistema de cotas não contempla a melhoria da qualidade do ensino?
Jogaib - Com relação ao sistema de cotas, como educador entendo que a forma inquestionável é o mérito escolar.
Toda reforma apresenta pontos importantes e outros discutíveis. O certo é que a sociedade como um todo ainda não teve oportunidade de opinar sobre estes pontos. Todavia haverá tempo de fazê-lo, até porque somente agora a anteprojeto chego ao Congresso Nacional, em sua terceira versão.
DNA - Muitos alunos chegam às universidades mal preparados, mal sabem escrever, interpretar um texto, desenvolver uma idéia. Não foram preparados para a construção do conhecimento. Como fica a responsabilidade da universidade neste caso? Afinal, é ela que vai colocar o profissional no mercado após 5/6 anos. É tempo suficiente?
Jogaib - Cabe à universidade proporcionar dentro do possível o nivelamento desses alunos e melhorá-los também dentro do possível, para entregá-los à sociedade com boa formação. Já a outra, imagino entender que o tempo é razoavelmente suficiente.
DNA - Os números do primeiro Enade (que substituiu o Provão), mostram que alunos iniciantes tiveram desempenho similar ao de colegas perto de se formar. Em 246 cursos (40 de medicina) os calouros alcançaram médias maiores que os formandos. A que o senhor atribui estes resultados?
Jogaib - Os alunos iniciantes se preparam de forma a responderem às questões próprias do Enade, enquanto que os concluintes estão envolvidos com sua formação específica. Na análise de qualquer processo tem que se levar em consideração a especificidade.
DNA - A universidade deveria estar comprometida com o desenvolvimento, contribuindo com idéias e propostas para o enriquecimento do país. Na sua opinião, por que então não há muito incentivo à pesquisa no Brasil?
Jogaib - A universidade se fundamenta no tripé ensino, pesquisa e extensão. A nossa instituição mantém 14 cursos de graduação e 4 seqüenciais. Desenvolve mais de 100 projetos de extensão na área social e tem registrado no CNPq quatro grandes grupos de pesquisa com 18 projetos, em que estão envolvidos professores e alunos, cujos projetos, por sua importância, contribuem como incentivo à pesquisa.
Este é um processo complexo e que encontra resistência na maioria das instituições particulares devido ao alto custo das pesquisas.
DNA - Diante de tudo isso, o que está faltando ao ensino superior no Brasil?
Jogaib – Primeiro, maior direcionamento da legislação, priorizando o ensino fundamental e médio, o que responderia uma das perguntas feitas anteriormente. O atendimento a um maior número de jovens brasileiros melhoraria a qualidade do aluno na universidade. E segundo, um equilíbrio na oferta dos cursos superiores. As universidades públicas não chegam a oferecer 30% do ensino superior, enquanto as particulares chegam a 70% da oferta. A legislação prioriza as universidades públicas. Muitos centros universitários sem fins lucrativos, com qualidade comprovada e com serviços prestados à Nação, mereciam um maior apoio do governo.